Eleição de Donald Trump: como a escolha dos norte-americanos afetará o Brasil

As eleições presidenciais dos Estados Unidos atraíram os holofotes do mundo inteiro. Afinal, a escolha dos norte-americanos tem um impacto relevante na política e economia global. Com a vitória do republicano Donald Trump, quais serão as mudanças para nosso país?

Leia o artigo e saiba mais.

Vitória de Trump sobre Hillary

O mundo está agitado com a eleição do candidato republicano Donald Trump. Não é para menos: a disputa com Hillary Clinton, do Partido Democrata, foi acirrada e polêmica até o seu término. Os candidatos protagonizaram uma disputa agressiva durante toda a campanha.

Apesar de todas as previsões terem apontado Hillary como vencedora, Donald John Trump foi eleito presidente dos EUA nesta quarta-feira (9 de novembro), sendo o 45º presidente do país.

Tanto Hillary quanto Trump tiveram alta rejeição e envolveram-se em diversas controvérsias. Trump chegou a propor a construção de um muro na fronteira entre Estados Unidos e México.

As inúmeras polêmicas acerca do magnata não foram suficientes para evitar a sua vitória, e o sucesso de sua candidatura se deu justamente por ele se vender como uma pessoa não política – embora tenha participado dos bastidores da Casa Branca.

 

O que muda para o Brasil do ponto de vista econômico?

Como o mercado financeiro brasileiro e o global trabalhava com a hipótese de que Hillary venceria as eleições, o anúncio do novo presidente provocou a queda dos índices de ações ao redor do mundo e alta do dólar. A notícia surpreendeu muitos analistas e provocou um verdadeiro rebuliço no mercado financeiro global.

Se o Partido Democrata continuasse no governo, as mudanças estruturais seriam mais brandas na condução da economia global, e neste sentido, seria melhor para a economia brasileira. Afinal, evitaria um possível cenário de turbulência, que pode afetar a recuperação econômica do Brasil.  No sentido oposto, a vitória do adversário republicano traz um cenário de instabilidade generalizada.

No que se refere ao comércio exterior, o Brasil deverá se posicionar se quiser ter uma relação mais próxima com os EUA, que é um país relativamente aberto; e o Brasil, por sua vez, relativamente fechado. Nos últimos anos, os Estados Unidos investiram em acordos de livre-comércio com diversos países, enquanto o Brasil  não teve nenhum acordo comercial relevante no mesmo período.

Contudo, se o Brasil quisesse estabelecer algum tipo de relação relevante com os EUA, o governo de Hillary teria sido melhor – o que é curioso, visto que, normalmente, os candidatos do partido republicano tendem a ser mais favoráveis ao livre-comércio. O que ocorre de atípico nesta eleição é que Donald Trump se diz contrário ao livre-comércio, em um discurso protecionista. Ele quer rever inclusive o Nafta, o acordo de livre-comércio com o Canadá e o México.

 

Prejuízo global

A vitória do candidato republicano provoca incertezas sobre como ele deverá guiar a economia da maior potência mundial. O Brasil, como membro da comunidade internacional, será inevitavelmente afetado.

Algumas das ações de Trump que impactam o mundo incluem não ratificar acordos climáticos, proibir a entrada de determinados grupos nos EUA e romper acordos de livre-comércio. Se o novo presidente cumprir essas promessas nas políticas externa e interna, existem grandes chances de desestabilização da geopolítica mundial, o que fatalmente afetará o Brasil.

 

Imigração

Essa foi certamente uma das questões mais polêmicas em torno da campanha presidencial de Trump: a sua posição em relação a imigrantes ilegais.

Brasileiros que vivem nos Estados Unidos em situação irregular serão afetados com o resultado das eleições. Donald Trump fez uma série de declarações polêmicas contra latinos. Entretanto, acredita-se que esse tema afeta lateralmente o Brasil, visto que o foco das declarações foram o México e países da América Central.

 

Relações bilaterais

A eleição de Trump pode não fazer muita diferença do ponto de vista de relações bilaterais. São 3 as razões para isso:

  • As relações entre o Brasil e os EUA sempre foram fortes em razão de valores culturais e políticos, e não tende a se prejudicar por causa de um ocupante da presidência num país ou no outro, por mais diferentes que sejam os valores dos dois presidentes.
  • O Brasil nunca esteve entre as prioridades máximas da política externa norte-americana, e isso é positivo, já que para eles, as prioridades mais altas sempre são aqueles países que apresentam mais ameaça para a segurança nacional ou estabilidade mundial;
  • Os laços que unem Brasil e EUA são muito mais fortes na sociedade civil do que entre governos, ou seja, há um contato direto que não depende de ações dos governantes.

 

Mercado financeiro

Os mercados financeiros no mundo desabaram com a notícia da vitória de Donald Trump. No Brasil, o dólar subiu e a bolsa de valores caiu após o anúncio do vencedor das eleições presidenciais norte-americanas.

Apesar da turbulência causada com o resultado das eleições,  o sistema econômico e político americano tem mecanismos de controle suficientes para não permitir que o presidente governe sozinho. Mesmo que o partido do novo presidente tenha obtido maioria no Congresso americano, os próprios republicanos devem pressionar Trump.

Entretanto, as tensões poderão acontecer, já que Trump pode ser mais agressivo em negociações comerciais e ceder menos em questões geopolíticas.

Embora o primeiro discurso do presidente eleito tenha sido conciliador – fato que atenuou a queda das bolsas americanas – a instabilidade do mercado financeiro deve continuar intensa até que Trump dê sinais mais claros de como deve executar o seu programa de governo.

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